28.9.07

A Chave


A Chave
Junichiro Tanizaki
Cia das Letras-2000
ISBN9788535900347





A Chave trata da história de um professor universitário que não consegue mais satisfazer sexualmente Ikuko, sua esposa voraz. Voraz e pudica ao mesmo tempo, ela não cansa de repetir uma ladainha sobre sua ‘educação tradicional’ que não a permite ultrapassar certos limites. Mas o pobre homem tenta, com muito empenho, encontrar uma solução para a sua fraqueza. Vai à procura de opinião profissional, opinião não profissional, massagens, remédios diversos ao ponto de comprometer sua saúde. Um dia, observando Kimura,um jovem estudante que freqüenta sua casa, e que seria, em princípio, um partido para sua filha, o professor descobre que o ciúme é um excelente estimulante. Assim começa um jogo perigoso. O mais interessante é que a história é contada através do diário do professor e da sua esposa. Cada um mantém um diário e desconfia que o outro o lê às escondidas. Ou quer que o outro leia?



Eis um trecho do diário de Ikuko:


Meu marido escrevera que "se tivesse em seu lugar e tivesse de dizer qual das duas mais me atrai, diria certamente que a mãe, apesar de sua idade." Mas ao mesmo tempo "No entanto Kimura não parece se definir". E ainda "Não estaria ele tentando comprar a confiança da mãe para através dela procurar chegar a Toshiko?" Eram as dúvidas que meu marido por vezes se colocava. Eu odiava que ele as tivesse. Queria que acreditasse que Kimura só amava a mim e que não hesitaria em fazer sacrifício algum por mim. Se assim não o fizesse, não aumentaria nele o violento ciúme que sentia de Kimura."


Toshiko é a filha do casal, ela também acaba participando deste jogo erótico, ajudando, por exemplo, a mãe a se encontrar às escondidas com Kimura, às vezes, emprestando o próprio quarto que alugara por não suportar mais, segundo ela, a vida desregrada que o pai e a mãe levavam.


É difícil escolher ‘um’ dos livros de Tanizaki, mas este está entre os meus preferidos.

Leila Silva Terlinchamp

4.9.07

Svastika

(Voragem – título da edição brasileira da Companhia das Letras)
Junichiro Tanizaki

Tanizaki nasceu em 24 de julho de 1886 em Tóquio, em 1968 recebeu o prêmio Nobel de literatura.
O primeiro livro que li deste autor foi Le Pied de Fumiko (O pé de Fumiko) que, parece, não foi traduzido para o português. Descobri o livro e o autor por mim mesma, passeando numa livraria de Bruxelas. Coisa rara e, de certo modo, prova de ignorância, descobrir um autor desta importância por si, tão tarde, depois de ter passado por um curso de Letras. Mas este é o fato, eu nunca tinha ouvido falar no nome de Tanizaki até aquele dia e foi com ele que começou o meu ‘ardor’ pelos autores japoneses. Acho que nenhum deles cairá nas minhas mãos por acaso, como Tanizaki. Ele ainda continua sendo um dos meus preferidos, li dele tudo o que pude encontrar até agora. Depois vieram muitos outros, li, sobretudo, Mishima e Kawabata.
Os temas mais constantes na obra de Tanizaki são a dominação sexual, o Japão, as mulheres, a arte. Esse Voragem não foge à regra. Sonoko, uma mulher casada, apaixona-se por Mitsuko, uma linda colega do curso de pintura. O romance trata desta forte atração e do emaranhado de mentiras criados por todos os envolvidos com Mitsuko, ou seja, Sonoko, o amante de Mitsuko e, mais tarde, o próprio marido de Sonoko. Até mesmo o leitor se vê preso nestas armadilhas, sem perceber em determinadas situações se Mitsuko é vítima ou manipuladora.

O título do livro em francês é Svastika (suástica), se não me engano, este é o título original. A suástica, claro, no seu sentido original, antes de ser corrompida pelos nazistas, simboliza, entre os brâmanes e budistas, a felicidade, a salvação. Segundo o editor francês, aqui nesta obra de Tanizaki, a suástica (ou cruz gamada) representa “os quatro protagonistas (Sonoko, Mitsuko, Watanuki e Mister Husband) da história que, puxam, cada um a seu turno, os cordões desta trama amorosa e diabólica.
O livro foi livremente adaptado para o cinema com o título de The Berlin Affair (1985).

Leila Silva