27.3.08

Manyoshu - Introdução


Durante a era de Nara奈良時代 (710 a 794) surgem os primeiros registos da poesia japonesa inicialmente com o “Nihongi” ou “Nihonshoki” (日本書紀) que conta a origem lendária do Japão. Este livro foi redigido no idioma importado pelos nobres, o chinês e trata-se de um texto essencialmente elaborado segundo os preceitos da corte, no qual se misturam mitos ancestrais com veracidade histórica.


Depois disto a literatura japonesa foi ampliada com um grande livro de poesia,
“Manyoshu” 万葉集 (Colectânea de Dez Mil Folhas). Esta antologia reúne, em vinte tomos, 4496 fragmentos de poemas.

O Manyoshu possuía poemas de todas as classes, desde o imperador até ao homem do povo. Ou seja, possuía grande abrangência/variedade social.
Provém de uma época fortemente influenciada pela cultura chinesa e os próprios compiladores do livro tinham uma formação em literatura chinesa.
Foi também utilizado como instrumento de ligação nacional já que o espírito nacionalista se revela necessário para criar o conceito de “nação” e uniformidade cultural.

Nesta altura utilizavam-se os kanjis com funcionalidade fonética. A este tipo de Kana chamava-se Mayoga.
O hiragana só se desenvolve a partir do séc. X.


Tipos de poemas do Manyoshu por número de versos:

片歌Katauta – 5-7-7
Shoka – 5-7 (geralmente acaba com 7-7)
短歌Tanka – 5-7-5-7-7
仏足石歌Bussokusekika – 5-7-5 7-7-7

Tipos de poemas do Manyoshu por tema:

相聞歌
Soomonka – Canções de amor
Genka – poema da lamentação da morte – elegia
Zooka - outros
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Bibliografia
CARTER, Steven (tradutor), Traditional Japanese Poetry: An Anthology, Stanford University Press (April 1, 1993)
UDA (compilador), The Kokin Wakashū (古今和歌集, Kokin Wakashū?) (r. 887–897)
YAKAMOSHI NO, Ōtomo (compilador), Manyōshū (万葉集, man'yōshū), (759)
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Sara F. Costa

21.3.08

A história de Murasaki de Liza Dalby

Sobre a vida e a obra de Murasaki Shikibu, a autora de A História de Genji, o primeiro romance da literatura universal e a peça mais famosa da literaturado do Japão, liza Dalby, autora de Geisha, urdiu uma ficção primorosa e delicada.Filha sensível e modesta de um poeta menor da corte, é com a sua imaginação fértil que Musaraki preenche a solidão.De início, as suas histórias sobre o destemido príncipe Genji só divertem os amigos mais chegados.Mas depressa as aventuras amorosas de Genji vêm a público.Instada por um regente carismático a aceitar uma posição na corte para entreter a imperatriz com as suas histórias, Murasaki é apanhada numa espiral de alta política e intriga sexual.É assim que escreve a sua obra-prima, A História de Genji.O romance de Liza Dalby inspira-se por sua vez nos fragmentos que sobreviveram do diário e da poesia de Musaraki para criar um retrato vívido e pormenorizado de uma mulher inteligente, sensível e complexa, mas também de uma época fascinante: o Japão do século XI.Requintada e culta, profundamente influenciada pela cultura chinesa, a sociedade japonesa da dinastia Heian é um mundo codificado e fortemente hierarquizado, em todos os actos da vida obedecem a regras fixas: as cores dos trajes, os movimentos dos leques, as cortinas que separam homens e mulheres, as relações entre pais e filhos, entre superiores e inferiores.A História de Murasaki reconstitui subtilmente as sensibilidades, maneiras, modas e preocupações desta época e o resultado não é apenas um romance histórico, mas um fascinante trabalho de arqueologia literária, em que o lirismo dos textos de Musaraki se combina magicamente com a narrativa delicada de Liza Dalby, ressuscitando um passado complexo e transportandoos leitores a uma época de raro exotismo.

4.3.08

Musashi


Se alguma vez se perguntou qual era o samurai mais emblemático do Japão, Eiji Yoshikawa (吉川 英治,) publicadou originalmente em pequenos capítulos diários no jornal Asahi Shimbum, entre 1935 e 1939, aquilo que seria a mais bela homenagem ao guerreiro mais apreciado da Historia do Japão: Miyamoto Musashi.

A obra epónima “Musashi” encontra-se dividida em vários “livros” incluindo:
Livro 1. A Terra, Livro 2. A Agua, Livro 3. O Fogo, Livro 4. O Vento, Livro 5. O Céu, Livro 6. Sol e Lua, Livro 7. A luz perfeita.

Essa divisão é a dita original, sendo que em função da editora é possível encontrar a obra completa num só livro, dividida em dois: “A pedra e o sabre” e a “luz perfeita”, ou com a divisão original.

O género da obra é o reflexo da personalidade da personagem que narra, um condensado de lutas de espada com reflexões filosóficas, o retrato do percurso que leva os grandes para a glória que lhes era predestinada, pela essência do génio que dormia neles. Musashi é um percurso iniciático, o caminhar de uma reflexão sobre a excelência e a autodeterminação, um condensado do espírito marcial japonês aliado ao ritmo de uma história movimentada pela sua dimensão épica.

A história começa no fim da batalha de Sekigahara 関ヶ原の戦い que vê nascer para o Japão uma era de unificação sob o reino dos Tokugawa. Mas para Takezo Shinemen e Matahachi Hon’iden o momento é grave, fazendo eles parte das tropas de Hideyoshi, é deitado no chão fingindo a morte, que os dois esperam pacientemente pela partida dos soldados inimigos. Recolhidos por duas mulheres cuja principal ocupação é a pilhagem de cadáveres, os dois jovens da aldeia de Miyamoto são mutualmente o espelho um do outro. Quando Matahachi decide abandonar a vida que lhe era predestinada em Miyamoto para ficar nos braços da ladra Oko desleixando a sua promessa de casamento com a doce Otsu. Takezo decide continuar por si própria o seu caminho, o tigre japonês persegue o caminho que o seu corpo de gigante lhe predestinou voltando para a sua aldeia, deixa por traz o seu amigo cujos horizontes se revelam mais obscuros pela triviliadade e fraqueza da sua escolha.


Porém, Takezo é ainda imaturo e arrogante. A sua prodigiosa força física não lhe permite abrir-se ao caminho da reflexão. Voltando por si próprio para a aldeia, é condenado como um desertor e o responsável pelo desparecimento de Matahachi, torturado Takezo é obrigado a comprometer-se com si próprio e a sua condição e, libertando-se, o animal selvagem se compromete a seguir a via do guerreiro, aquela que dará sentido às suas garras e que o fará esquecer o seu nome para renascer com o nome de Miyamoto Musashi, uma alma imatura que se forja a cada passo no equilíbrio perfeito entre sabedoria e arte da espada.

O relato da história é em grande parte fictícia mas a essência da evolução da personagem é claramente fiel à história original. O autor dos “cincos anéis” ganha a densidade psicológica que a historia não lhe preservou, demonstrando ao longo da obra os altos e baixos de um processo de raciocínio em que cada viagem e aventura leva a uma nova conclusão sobre o ideal da Via da Espada. O leitor encontra-se na mesma posição, é com febrilidade que as peripécias do herói nos levam a contemplar a magnificência dos combates digno de cativar qualquer amador de mangas shonen, a reflexão filosófica que alimenta a nossa sede de saber, e acima de tudo a contemplação da construção da mente de uma personagem que ganha sabedoria conhecendo-se melhor a si própria despertando pela reflexão a nobreza de alma que já residia no seu intelecto.
A obra ainda possui um forte carácter sentimental, sendo que a história de amor do Musashi ganha em intensidade e dramatismo ao longo da obra.



O que mais sobressai da obra é a sua acessibilidade. Com efeito, por experiência própria, o livro consegue reconciliar com imensa facilidade qualquer jovem leitor com a literatura. Aqui a evolução da personagem imatura leva a um processo de auto identificação forte, em que a relfexão nunca se torna asfixiante pela importância dada à estratégia dos combates e à imprevisibilidade das peripécias da história. Nesse aspecto a obra poderia comparar-se aos três mosqueteiros ou aos romances dos cavaleiros do Rei Artur. Atrevo-me até a considerá-lo como a obra mais “mangaesca” da literatura, tudo na evolução da história parece respeitar os códigos do típico shonen, com a sua personagem imatura com potencial que se torna ao longo da história mais forte e mais matura.

A obra na minha opinião revela-se simplesmente imprescindível para qualquer amante do espírito do bushido.

Matthieu Rego