2.2.07

O lirismo de Manyoshu

Viva!
Agora que o período de exames finalmente acabou, será possível continuar a viagem pela história da literatura japonesa com mais constância. Ainda que o blog por vezes tenha momentos de menor actividade, o projecto continua vivo para podermos desfrutar do aprofundamento nesta cultura que tanto nos fascina. Escrevo hoje sobre os primórdios da poesia nipónica.


Em plena era de Nara奈良時代 no período, portanto, de 710 a 794, depois do “Nihongi”, a literatura japonesa foi ampliada com um grande livro de poesia, “Manyoshu” 万葉集 (Colectânea de Dez Mil Folhas). Considerada a criação poética de maior peso no que diz respeito à história primordial da literatura japonesa, esta antologia reúne, em vinte tomos, 4496 fragmentos de poemas, dos quais 4173 do género Tanka ou Uta e os restantes pertencentes ao grupo Nagauta.

O Tanka é um poema curto, consta de trinta e uma sílabas, com o ritmo de 5-7-5-7-7, designando-se os três primeiros versos (5-7-5) por kaminoku (estrofe de encabeçamento) e os dois últimos (7-7) por shimonoku (estrofe de remate), notando-se entre ambos um contraste acentuado que produz efeitos sensíveis de fonética.



Nagauta (poema longo) é uma espécie de ode com um número limitado de estrofes, cujo ritmo tem por base a correlativa de cinco e sete sílabas, pois é composto sempre na cadência de 5-7-5-7-5-7, caiu no entanto em desuso.

A poesia lírica, frequentemente conhecida por Waka和歌, designa em japonês a “poesia breve”.

Tanka, contudo, conseguiu um enorme reconhecimento e pode ser encontrada nos diários e nas cartas íntimas de amigos. É daí que advém o enorme prestígio que assinala entre as restantes, a antologia “Manyoshu”, constituída, na maior parte, por tankas, enquanto as nagautas são imitações de um género proveniente da China.

Muitas outras antologias eram divulgadas entre o povo, como é o caso da famosa “Hiaku-ninisiu” (Colecção de Cem Poemas), atribuída ao lendário poetca Ogaki, mas a Manyoshu é uma obra gigantesca de poesia japonesa e incide com uma fiel exactidão o ambiente dos recuados tempos em que viveram e sonharam os Yamabno-Akahito, Otomo-Yakamochi entre outros, que, tal como estes, foram considerados mestres.

Nas suas páginas encontramos a sempre incontornável temática do amor, um misto de erotismo e paixão em oníricas e elaboradas fantasias, um ritmo sempre na procura do gracioso e do harmónico, e há ainda espaço a reflexões em diálogos onde nos são mostradas as preocupações humanas e sentimentais de imperadores, príncipes, cortesãos que na altura desenvolviam a estética poética.

O despertar da poesia que encontrou em Manyoshu o seu topo, foi gerador das engrenagens de desenvolvimento da literatura. Com a nacionalização do método de escrita, os novos meios de expressão permitiam aos intelectuais concretizar as suas ideias e observações em obras de estilo e de maior alcance em termos artísticos, constituindo já a passagem humana e as inquietações do espírito encaradas como preocupação dominante. O advento da Era de Heian coincide com um período de efervescência literária, progressiva e característica, que culmina nas obras dos clássicos.


Links de interesse:

Download do Manyoshu (original):
http://etext.virginia.edu/japanese/manyoshu/

Mais sobre Otomo-Yakamochi
http://www.asahi-net.or.jp/~sg2h-ymst/index_e.html

Site muito bom sobre poesia clássica japonesa, com algumas traduções de poemas para o inglês:
http://www.classical-japanese.net/


Sara F. Costa

3 comments:

Anonymous said...

é bom ver a internet como meio para abordar temas de tanto interesse como a poesia e a historia classica de outras cultura bela iniciativa, aprende-se bastante um abraço


marco

Netchrist said...

muito bem saru ^_^ continua com as lições, assim não preciso de ir as às aulas de Poesia Japonesa hehe jk jk

Anonymous said...

necessario verificar:)